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Escrita coletiva de maio - COMIDA E AFETO

Confira meu texto publicado pelo @club.escreva


Preparava bolinhos de polvilho em minha casa. Em uma pequena panela adicionei leite (1x), óleo (½ x) e assim que as borbulhas sinalizaram a fervura, escaldei a farinha de milho

(1x), anteriormente colocada em uma bacia. De repente o inesperado aconteceu, a fusão destes três ingredientes me transportaram imediatamente para as tardes chuvosas da minha infância.


Eu era um ser invisível em cena, conseguia apenas observar. Minha mãe estava na cozinha, só para variar um pouco; eu no quarto dando aula para uma porção de bonecas e ursos de pelúcia; e minha irmã corria pela casa balançando uma vareta com um tule na ponta, imaginando uma amiga de longos cabelos.


Em questão de instantes fui surpreendida por um cheiro especial, senti uma felicidade profunda em poder ir além do observar. Seguimos imediatamente para a cozinha, eu e minha versão criança. Era o cheiro do escaldar a farinha de milho. A mesma receita que começará a fazer em minha própria casa.


Restou-me apenas contemplar. Eu pequenina e minha mãe, adicionando naquela bacia os demais ingredientes da receita. O ovo (1un), o polvilho azedo(2x) e o sal (a gosto). Depois tudo foi misturado a quatro mãos, ou melhor, a seis mãos. Minha irmã não tardou a aparecer.


Quando me aproximei para tentar tocar na massa, fui transportada novamente para minha casa. Estava agora eu, diante do meu filho amassando a mesma mistura. Seus olhos estavam radiantes, seu sorriso largo e suas mãozinhas grudentas de massa.


Começamos a moldar os bolinhos, sem esquecer de adicionar um pouco mais de leite até que a massa ficasse menos quebradiça. Era esse o segredo para um melhor resultado. Meu filho estava fascinado pela experiência e eu com o coração aquecido por tamanha lembrança e vivência.


Antes de colocar os bolinhos para fritar, falei para meu menino “Agora saia da cozinha porque é perigoso, esse bolinho pode estourar e espirrar gordura em você”.


E em questão de segundos dei-me conta do que falei e sorri, pois, era a mesma frase que minha mãe proferia todas às vezes que finalizava meus bolinhos favoritos.


Autora: Camila Pasetto @camilapasetto



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